Ainda o Festival das Cançonetas

Não vi o Festival da Canção de fio a pavio. Aliás, vi mal. Não porque tenha qualquer coisa contra o Festival da Canção, mas porque tudo aquilo é confrangedor. O júri, as músicas, as letras das músicas, os intérpretes. Longe vai o tempo de composições que se não valiam nada lá fora, valiam muito cá dentro. Ainda por cima, se Salvador Sobral ganhou o ano passado, e pela primeira vez, o Festival da Eurovisão, agora quase todos querem ser uma espécie de cópia do Salvador. Ninguém se salva. É uma atitude pirosa. E sobre Salvador ter ganho o ano passado o Festival da Eurovisão alguma coisa haveria a dizer. Mas não vale a pena. Passou o timing, ganhou, ponto final. Depois aquela coisa do plágio, que ninguém sabe se houve plágio se não houve. A IURD diz que sim e depois diz que não, mas talvez. Outros dizem que não foi plágio, mas cópia. Ou nem uma coisa nem outra, são coisas habituais no reino da música, comentam outros. Piçarra saiu de campo (uma atitude digna). Não há uma orquestra, há música empalhada, para se poupar nos custos. O que interessa é a imagem, é da imagem que vive a televisão. Mas a imagem é foleira. A música não se vê, pode ser debitada pelo computador. Enfim, passo bem sem o festival das cançonetas. Mas tenho pena que seja uma espécie de corpo moribundo que não morre nunca, nem se reabilita.