Vou mudar de canal

Não consigo gostar de séries americanas (USA) nem de filmes com carimbo americano. Dito assim, genericamente, parece mau, muito mau, e é. Mas é verdade que no meio do muito mau alguma coisa se aproveita. Nem podia ser de outra maneira. O povo americano é um povo tendencialmente estúpido, fechado no seu universo circular. Vive rodeado de armas, usa-as a seu belo prazer, com os resultados conhecidos. O resto são lantejoulas, fogos fátuos, o sonho americano, que não se sabe bem qual é. Mas estava a falar de séries americanas. Na verdade, têm uma receita. Grandes planos, a família e a religião, a polícia elevada à craveira de quem tudo resolve (embora depois haja séries de casos arquivados, que na época não foram ou não puderam ser resolvidos), os heróis, os carros pelo ar, as sirenes sempre a buzinar, etc. Além das séries de gordos, de concursos de quem come mais, das meninas à procura do melhor vestido de noiva. Coisas do género. Ao pé das séries inglesas é a noite do dia. Os ingleses têm uma história muito antiga, como em geral os povos europeus e asiáticos. A Amereca tem trezentos anos de domínio branco, ainda é uma criança. Vá lá, uma adolescente. Isso tudo concorre para estar numa fase de se olhar muito ao espelho. E isso reflecte-se nas séries e filmes que nos chegam, escolhidos a dedo pelos distribuidores nacionais para embezerrarem o povo português, o qual, como sabemos é fácil de conquistar e levar na onda. Vou mudar de canal. Mas não sei para qual.