Roubar

Roubar já não se chama roubar. Este homem que comanda uma frota da Baía a Tunis, é um financeiro e um poeta. Faz a fome e a fartura. Arruína um povo — e enriquece. Uma revolução, dois, três navios vão pelos ares… Mais negócio, melhor negócio. Este médico, este advogado, este honrado comerciante, exploram-te. Enriquecem. Desçamos na escala: ali à esquina levam-te a carteira com uma nota de dez mil réis. A isto é que se chama roubar.

Raul Brandão in “Húmus”