Os patrulheiros da gramática

Há quem não goste de adjectivos. Acham-os um tanto pesados, num tempo de dietas para emagrecer. Outros matam todos os advérbios de modo, como se fossem uma praga. Definitivamente, mortos. Mas importam-se pouco com o à ou á, quando a lei manda que se use há. Há (de haver). Não, há-de haver. Enfim, agora escreve-se (escrevem) há de, sem hífen, porque são a favor da lei, o novo AO. Ou tinha morto, em vez de tinha matado. Mas existem também os patrulheiros da pontuação. Prendam-se já todos os pontos de exclamação. Acabem com os hífens. Fuzilem-se as reticências. Desprezem as maiúsculas, essas letras com a mania das grandezas. Todo o romance sem minúsculas. Já! Fica mais leve, mais airoso, uma mancha toda por igual. A forma para esquecer o conteúdo. Enfim, um tempo de poucas ambições, mas de crescentes patrulhamentos.